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As tâmaras, a dor de cabeça, o agronegócio, o MST, o taxista palestino e o boneco do Lula

Categoria: Diversos, Debate, Crise global - Setembro 2nd, 2015

Eu sou a favor do agronegócio. Acho que o Brasil é competivo nesse campo (sem trocadilhos). E mais: como qualquer pessoa que leu ao menos um pouquinho de Karl Marx, eu sou a favor do desenvolvimento do capitalismo (tal como fora o marido de Jenny Marx).

Mas nem tudo são flores no mundo moderno. A quantidade de conservantes utilizados nos alimentos cresce a cada dia. Foi-se o tempo em que nociva era a pura gordura animal (manteiga, banha de porco etc) !..

Há pouco tempo, comecei a ter dor de cabeça com frequência, coisa que ocorria no tempo em que morei em São Paulo. Achei que estava simplesmente estressado, estudando demais, algo do tipo. Mas, mediante tentativa e erro, descobri que o motivo da dor de cabeça eram as tâmaras. Eu não estava consumindo uma quantidade grande de tâmaras, mas estava consumindo todos os dias: um pacote de 200g por semana. Qual a quantidade de sulfitos em 200g de tâmaras? Eu não sei. Mas com certeza o suficiente para causar dano a alguma parte do meu corpo, que me “avisou” por meio da dor de cabeça.

Sempre desconfiei (e continuo desconfiando) de produtos com “certificação” BIO ou qualquer coisa do gênero. Já fiz testes em casa e vi que mesmo produtos “certificados” contêm conservantes. Qual a quantidade? Não sei. Qual o limite possível para não causar dano? Depende, obviamente, da pessoa: alguns indivíduos têm uma tolerância maior a determinados produtos químicos que outros.

Costumo dizer que se as pessoas soubessem como funciona o mercado financeiro, não colocariam um centavo em bancos (aliás, não aceitariam dinheiro, nem ouro), abandonariam seus empregos e iriam viver de agricultura de subsistência em alguma localidade remota. Mas como as pessoas confiam (e confiam muito!) no sistema - e apenas em razão dessa extrema confiança - todo mundo aceita dinheiro e a economia funciona maravilhosamente.

Obviamente, as maravilhas da economia não estão ao alcance de todos. No cinema, os oprimidos (os heróis dos filmes) são pessoas magníficas, altruístas, poços de virtudes. Enfim, os filmes retratam os oprimidos como seres admiráveis em termos de qualidades e valores humanos. Na vida real, porém, a coisa pode ser bem diferente. Pessoas que sofrem ou sofreram malefícios (ex. pobreza, guerras etc) de um mundo que não é maravilhoso para todos podem não ser seres humanos não tão lindos, altruístas, magnânimos etc. Aliás, podem ser rancorosos, frustrados, amargos, egoístas, enfim, em uma palavra: maus.

Alguma surpresa quanto a isso? No meu modo de ver, nada mais natural: alguém que o mundo fez feliz ou fez sofrer tenderá a retribuir da mesma forma, na forma de boas ou más ações. Obviamente, é apenas uma tendência: alguém que sempre recebeu tudo de bom poderá ter um péssimo comportamento social (vide o comportamento de alguns playboys), bem como alguém que levou uma vida absolutamente infeliz poderá ser um excelente ser humano (vide o comportamento de algumas pessoas que tiveram uma infância miserável, mas são ótimas pessoas). Aí a questão é estatística: um percentual maior terá uma determinada conduta, outro percentual menor terá a conduta oposta.

A imprensa brasileira, de forma massacrante, descreve os membros do MST de forma muito ruim. Usando e abusando de adjetivos como baderneiros, vagabundos, cachaceiros, ladrões, destruidores, assassinos etc, a imprensa brasileira, na esmagadora maioria das vezes, cria uma imagem muito ruim das pessoas que desejam um pedaço de terra. Essa imagem condiz com a realidade? Insisto: o povo pobre, na sua maioria, não é formado por pessoas cultas, que falam francês, leram Karl Marx, tocam saxofone e comeram caviar na primeira classe da American Airlines. A tendência natural não é o comportamento que vemos nos filmes, embora, obviamente, exista de tudo um pouco.

O MST tem experiências muito interessantes de agricultura (realmente) orgânica. Embora um grande número de assentamentos tenha fracassado, outro percentual foi coroado de estrondoso sucesso, a ponto de gerarem empregos (aí novamente a imprensa critica o assentado, que depois de anos de trabalho duro, passou a ser tomador de mão-de-obra, dizendo que ele “colocou outro sem-terra para trabalhar no lugar dele”, como se o sucesso empresarial fosse um privilégio apenas para os bens nascidos). A agricultura familiar é responsável por cerca de três quartos dos alimentos consumidos pelos brasileiros. Além de ser intensiva em mão-de-obra, utilizar menos produtos químicos nocivos à saúde, evitar o êxodo rural, a agricultura familiar (incluindo um significativo número de assentados do MST) tem se revelado extremamente eficiente sob o aspecto econômico.

Recentemente, peguei um táxi e o motorista era palestino. Histórias de taxistas são sempre ótimas - e esta não é diferente. O taxista, antes de iniciar a corrida, foi apressadamente pedindo que minha namorada desse a ele uma boa avaliação no sistema de chamada e atendimento. Um comportamento, obviamente, pouco adequado. Não me lembro como a conversa começou, mas o taxista abriu a guarda para eu poder perguntar de onde ele era. A conversa prosseguiu assim:

- Sou palestino, de Haifa.

- O senhor tem cidadania “israelense”?

O taxista respondeu que não, sentido-se visivelmente incomodado com a menção a “Israel” e eu reformulei a pergunta:

- O senhor tem passaporte “israelense”? Sei que muitos palestinos em Haifa têm passaporte “israelense”…

Ele respondeu que ele tinha passaporte da Jordânia, mas que alguns parentes de Haifa tinham passaporte de “Israel”.

Aí veio a parte mais interessante: eu perguntei o que ele achava de Abbas (atual “Primeiro Ministro” da chamada “Autoridade Nacional Palestina”, um pelego de causar inveja a qualquer pelego brasileiro, nascido ou por nascer…). Ele respondeu que Abbas era, digamos, uma pessoa nada digna (o adjetivo que ele usou é impublicável). Perguntei o que ele achava de Arafat. Ele disse que gostava. Eu retruquei, dizendo que Abbas e Arafat eram farinha do mesmo saco. O taxista discordou, insistindo que Arafat tinha sido bom. Então eu perguntei a respeito de George Habash (fundador da Frente Popular para a Libertação da Palestina, uma organização que fora a segunda maior da OLP, mas hoje é pouco expressiva, e que foi contra o “acordo de paz” de Oslo, 1993). Ele respondeu, com admiração, que George Habash “era o cara”.

Curiosamente, um grande setor da esquerda brasileira (incluindo o PT, o PCdoB e o PSOL) defende aquilo que Nelson Mandela recusara para os negros sul-africanos: a criação de um “Estado” ou de regiões semiautônomas em áreas inviáveis economicamente para os palestinos. E mais: reconhece Abbas - que perdeu as eleições realizadas há vários anos, mas continua no “governo” semiautonomo da ANP - como “representante” do povo palestino.

A situação econômica do Brasil passa por um momento interessante: é patente o sucesso da agricultura, da pecuária e do extrativismo (tanto o agronegócio como a agricultura familiar). Por outro lado, com poucas exceções, a indústria tradicional não consegue competir com a indústria chinesa (nem com juros subsidiados, nem com benesses tributárias, nem com dólar alto, nem com legislação “flexibilizada”, nem com ajuda disso e daquilo, enfim, nem com reza brava).

É hora, portanto, de rever alguns padrões. Vimos que nem adicionais desonerações tributárias concedidas no Governo Dilma I nem o dólar alto do Governo Dilma II fizeram a indústria nacional mais competitiva (exceto uma parte que por características próprias é competitiva, mesmo sem qualquer benesse). Na verdade, a única coisa que cresce com desonerações fiscais é o déficit público (além da margem de lucro de quem já está tendo lucro e aproveita o benefício que sabe ser insustentável e por isso não investe para aumentar a produção).

É preciso, de forma crítica, planejar o País que queremos, dentro da realidade que temos. Não basta apenas “voluntarismo” (ex. baixar os juros ou ter apenas agricultura orgânica). Não é possível lutar contra o Mercado - salvo caso se queira romper com ele, o que não deu certo nas várias tentativas ocorridas no século XX - mas é possível, dentro das regras do Mercado, obter resultados benefícos para a população, desde que se disponha a enfrentar lobbys de grupos específicos. Não se espere que quem está lucrando com a situação atual (dólar caro, subsídios, corrupção, benesses fiscais etc) irá aceitar passivamente a perda de privilégios. Toda e qualquer mudança somente vai acontecer por força das pessoas que não estão sendo beneficiadas pelo sistema. Essas pessoas devem fazer uma análise mais profunda e traçar uma estratégia de ação. Ficar correndo atrás do boneco do Lula (apelidado de “pixuleco”), ser contra o agronegócio ou achar que juros podem ser baixos por simples vontade política não parece ser a melhor das estratégias…

Balanço dos governos Dilma I e Dilma II

Categoria: Diversos - Junho 27th, 2015

Foram 7 anos de bonança do Governo Lula (o primeiro ano do Governo Lula I foi difícil), turbinados com o bom preço das commodities no mercado externo (o que também ocorrera no período FHC). Dilma assumiu a Presidência da República e mudou alguns aspectos essenciais da política econômica do seu antecessor, que fora eleito em razão da má situação econômica em que vivia o País durante o Governo FHC II.

Vejamos, em brevíssimas palavras, o que mudou e quais foram as consequências, a começar pelo Governo Dilma I. Em seguida, o que mudou no Governo Dilma II. Por fim, vamos responder à pergunta: vale a pena investir no Brasil?

1-Política Monetária. De forma deliberada, durante o Governo Dilma I foi efetuada uma redução da Taxa Selic como forma de depreciar a moeda nacional. O objetivo era estimular as exportações, especialmente as industriais, haja vista a forte competição com a indústria chinesa, que produz a preços muito mais baixos na maior parte dos setores. Temia-se, além disso, um “Tsunami Financeiro”, que seria causado em razão das baixas taxas de juros nos países riscos (EUA, Japão e União Europeia). O resultado foi uma forte pressão inflacionária, uma vez que os produtos importados (inclusive matérias primas) ficaram mais caros no mercado interno.

Para continuar, clique  http://mercadofinanceiroecrises.blogspot.de/2015/06/vale-pena-investir-no-brasil-analise.html

Brasileiros descendentes de portugueses têm direito à nacionalidade portuguesa?

Categoria: Diversos - Junho 9th, 2015

PARLAMENTO PORTUGUÊS APROVA PROJETO CONCEDENDO CIDADANIA ORIGINÁRIA A DESCENDENTES NASCIDOS NO EXTERIOR.

A norma retroage e alcança pessoas nascidas antes da publicação da nova lei. O projeto aprovado vai para o Presidente da República determinar a publicação da norma. Veja mais:

 http://www.brunosilva.adv.br/passaporte-portugues.htm

Gramática alemã

Categoria: Diversos - Abril 12th, 2015

Links para alguns resumos e tabelas que fiz:

Verbos com exemplos: http://www.blog.brunosilva.adv.br/tabela-verbos-perfekt.htm

Pronomes e artigos possessivos: http://www.blog.brunosilva.adv.br/tabelas-pronomes-alemao.htm

Temas variados (muitos):  http://www.blog.brunosilva.adv.br/tabelas-gramatica-alemao.htm

Excelente para quem deseja elevar o nível de cortisol no organismo!

A melhor e mais útil atitude já tomada pela ONU

Categoria: Diversos - Novembro 3rd, 2012

Veja por si só:

http://www.youtube.com/watch?v=1fsZnIcZoA4

Seria bom se fosse apenas uma piada…

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SENSACIONAL RELATO DO NOSSO HOMEM NA ETIÓPIA!

Categoria: Diversos - Agosto 31st, 2012

Direto de Adis Abeba. Por Rômulo Neves.


 

“Planejava enviar este e-mail há mais tempo, pelo menos uns dez dias atrás, quando havia duas semanas que estava

em Adis. Como sabem, as coisas aqui degringolaram e, em menos de uma semana, faleceram o Papa da Igreja Ortodoxa Etíope, já explico do que se trata, e o Primeiro-Ministro. A Embaixada está desfalcada, já que a Embaixadora está de férias e o outro colega está de licença médica. Assim, depois de 25 dias na Etiópia, envio umas notas um pouco defasadas na memória, mas, imagino, algo interessante para quem quiser saber um pouco mais do país e conhecer um pouco da nossa experiência. 

A cidade é grande, tem entre 3 milhões de habitantes segundo as estatísticas oficiais, ninguém sabe ao certo. Há pessoas que dizem que tem 5 milhões, mas pela distribuição geográfica e pela quantidade de prédios, que ainda é pequena, não é possível. O mais realista é que tenha entre 3,5 e 4 milhões. O trânsito, entretanto, é de uma cidade de 500 mil habitantes, porque não há muitos carros nas ruas. O imposto aqui, pasmem, é mais alto do que no Brasil. Assim, a população ainda não tem condições de se motorizar. Mas isso não significa vida fácil nas ruas. Não há semáforos, com exceção de uns cinco ou seis cruzamentos. Mesmo nas partes mais movimentadas e centrais da cidade, o motorista tem de ir metendo o carro. Como não há tantos carros assim – apesar de dizerem que a quantidade está aumentando a olhos vistos -, isso não chega a ser o fim do mundo, como eu vi, por exemplo, no Leste Asiático. Um problema grave é a falta de pavimentação. As artérias viárias são de asfalto, muitas vias secundárias são, mas a grandessíssima maioria das vias menores é de terra, ou melhor, de lama, pois estamos na época das chuvas, e de buracos, já que é grande a quantidade de caminhões que estragam as vias em razão das tantas construções que pululam por toda parte. Os carros são velhos – a maioria dos taxis é daqueles Ladas russos do início dos anos 90 – e, por isso, tem mais poluição do que se esperaria quando se vê a quantidade de carros circulando. Eu já vi aqui Fusca, obviamente, Gol, Escort velho e três Brasílias, em bom estado! Sexta-feira é dia sem trabalho para os mulçumanos, então o trânsito fica um pouco mais tranquilo. 

Bom, o Aeroporto é dentro da cidade e bem perto da Embaixada, mas um colega francês nos disse que, 15 anos atrás, quando esteve aqui, lembra-se da grande área vazia e desabitada entre o Aeroporto e a cidade, ou seja, a urbanização está de vento

em popa. Essa parte perto do Aeroporto é uma das áreas nobres e de agito da cidade. Tem bares, restaurantes, boates, cinema, boliche, piscina coberta, mas, ainda assim, muitas ruas secundárias de terra. Aliás, várias Residências de Embaixadores e de colegas diplomatas são nessas ruas. GPS acho que nem funciona. Uma alternativa são os compounds, os condomínios fechados, nem tão fechados assim, mas que pelo menos têm asfalto. Russos, ingleses, belgas e italianos, e alguns outros, têm um compound só deles, onde fica a Embaixada e a residência de todos os diplomatas. Uma verdadeira bolha. Na dos russos, vivem, segundo o próprio colega russo, 200 russos, entre diplomatas, funcionários, adidos e famílias.
 

Estamos na época de chuvas, mas de vez em quando temos um solzinho. A temperatura é amena - para mim é fria, mas dormimos muito bem, especialmente nos dias em que corremos. Demos um tempo de duas semanas para adaptação antes de começarmos a correr, Ana e eu. As noites são escuras, porque não há muita iluminação púbica funcionando – as lâmpadas estão lá, mas não funcionam. O frio decorre da altitude – 2.500m. Nos cansamos mais fácil no início, nosso organismo fica mais preguiçoso, mas para treinar é bom, já que acostumamos o corpo com pouco oxigênio e, no nível do mar, fica tudo mais fácil. Mesmo os etíopes que não estejam em boa forma dão um suspiro profundo para falar. Como se tivessem tomado um susto. Não tem jeito, tem menos oxigênio disponível no ar. 

Uma característica muito marcante é a religiosidade da população. Cerca de dois terços da população e católica – o outro terço, quase todo, mulçumana. Dentre os católicos, a grande maioria é adepta da Igreja Ortodoxa Etíope, que é autônoma, ou seja, tem seu próprio Papa desde 1959. Reconhecem, entretanto, a autoridade do Papa da Igreja Ortodoxa Copta, de Alexandria, que se separou da Católica Ortodoxa Romana na Idade Média. Aqui, eles seguem o Velho Testamento e, por ter ficado muito tempo isolada, tem muitas características por exemplo, da religião mulçumana. Na capital os praticantes mesmo não são maioria, mas chamam atenção por ser em grande número. Mesmo os não praticantes seguem muito os preceitos. Quarta e sexta, por exemplo, a maioria da população não come carne. Acho, sinceramente, que esses preceitos tinham o objetivo prático de economizar proteínas, mas não tenho base nenhuma para afirmar isso. 

De vez em quando, estamos na rua indo para algum lugar e ouvimos as preces bem altas,

em alto-falantes. Eu gosto do ritmo, a Ana não, mas o engraçado é que se reza para toda a rua. O Governo baixou uma norma para que o volume dos alto-falantes não fosse tão alto, mas acho que não adiantou muito. Continuamos ouvindo. Deixamos de alugar uma casa porque era perto de uma das grandes igrejas daqui e o volume da reza incomodaria muito. Parece que no interior, a adesão aos preceitos é muito mais rígida. Chegamos na quaresma deles e as Igrejas estavam lotadas. Achei bastante estranho muita gente do lado de fora. A explicação: mulheres menstruadas, mulheres e homens que fizeram sexo nos últimos sete dias, e quem chega atrasado para as preces, não entram na Igreja. Rezam do lado de fora. Pois bem o Papa da Igreja Ortodoxa Etíope faleceu na semana passada. Ele era presidente da Confederação Mundial das Igrejas.
 

A Etiópia tem um calendário próprio, que segue o calendário juliano. O nosso é o gregoriano, resultado de uma atualização daquele. Bom, aqui, são 13 meses, 12 de 30 dias e um de quatro ou cinco, dependendo se é ano bissexto. O problema é que não é bonitinho, quando começa o nosso ano, começa o ano aqui. Não, além disso, eles estão no ano 2004. O ano novo aqui será no dia 11 de setembro - não acho que tenha algo a ver com o atentado às torres gêmeas, mas não deixa de chamar atenção a coincidência. Então, o dia 11/09/2012 será o dia 01/01/2005 no calendário etíope. Eles consideram a data do nascimento de cristo uma data que, no nosso calendário, cai no dia 07 de janeiro. Se pensarmos bem, tem mais chance de eles estarem corretos, já que por volta do dia 25 de dezembro, o nosso Natal, era a antiga festa do solstício de inverno, quando havia uma grande festa pagã para celebrar a fertilidade e pedir uma boa colheita. A Igreja aproveitou essa data e o dia 25 de junho, quando era celebrada a festa da colheita – o solstício de verão, para comemorar o Natal e o dia de São João. Vez por outra os locais confundem as datas de seu nascimento, por exemplo, no nosso calendário, já que não deve ser simples trabalhar com dois calendários. 

Bom, a Etiópia também tem sua própria língua, o amarico, e seu próprio alfabeto. São cerca de 500 letars, na verdade as letras são as sílabas. O alfabeto completo consiste de uma tabela com cerca de 70 linhas – mais ou menos a quantidade de sons consoantes - e sete colunas, as vogais. Não é fácil escrever e ler, mas não parece o fim do mundo falar. O inglês é bastante falado. A dificuldade deles, nesse caso, é escrever corretamente. Como usam outro alfabeto normalmente, é muito comum os erros de grafia. Não se trata, porém, de erros de grafia em um bilhete sem importância. Por exemplo, o maior outdoor aqui é um da Samsung, onde está escrito em letras garrafais – QULITY, ao invés de quality. Há, ainda a Praça Bobmarly, que imagino seja Bob Marley. EdnaMol, em lugar de Edna Mall, Happ, em lugar de Happy, e assim sucessivamente. 

O país é bem fechado. Estrangeiros não podem comprar propriedades. Os chineses, por exemplo, que dominam o comércio de bugigangas na Alemanha, no Suriname e em todos os buracos da África, não tem vez no pequeno comércio aqui. Todos são de etíopes. Os produtos podem até ser em grande parte chineses, mas a lojinha, não. 

O telefone é péssimo. A rede é muito limitada. E ainda tem o controle e o monopólio. Aliás, é tudo a mesma coisa. Quando você telefona para alguém, ao invés de dar sinal de chamando, você recebe a mensagem em amarico e em inglês: “o número que você ligou está disponível, aguarde um momento”, é um pouco engraçado, mas é um alívio, porque na maioria das vezes você ouve a mensagem: “the network is busy now”. Receber ligação do Brasil é impossível. Fazer daqui é possível. Eles falam que a rede do Brasil é ruim. A verdade é que quando recebem a ligação, não recebem tarifa, já quando o camarada faz daqui… O celular é muito barato, mas só tem pré-pago, da empresa estatal. A Internet, como falei, é ruim, mas há acesso à Internet pelo celular. Na verdade, talvez seja a melhor opção, porque não há Banda Larga para residências, somente para empresas e a grande maioria por sinal de rádio e não cabo de fibra. Só em alguns casos especiais. Vou tentar um cabo para a Embaixada, porque para emitir um visto é sofrível com a Internet como está. 

A Etiópia tem o décimo maior rebanho do mundo. A grande maioria de cabritos, o que significa que há muitos animais, mas com pouco volume e peso. Podemos ver muitos pastores com seus rebanhos, mesmo pelas ruas de Adis. A população costuma comprar seu próprio cabrito vivo para matar em casa. 

A renda da população é muito baixa – renda per capita média menor do que US$ 400 por ano – e há muitas pessoas que ganham menos de US$ 50 por mês. A comida etíope acaba sendo muito barata, mas falta dinheiro, não tem jeito. Há muitos pedintes, mas menos do que os países lusófonos que visitei na África. A falta de recursos acaba fazendo os homens jovens pobres usarem um sapato que parece bastante uma Melissinha, de plástico. Nada, porém, parecido com as imagens que temos na cabeça de crianças magérrimas sendo atacadas por urubus. Aquilo foi resultado da grande seca de 1984, mas também da falta de apoio dos países ocidentais, já que o país estava sob um governo comunista. Aquelas crianças eram um dos resultados da Guerra Fria. Eu nunca tinha me atentado para isso. O país está melhorando, mas ainda é muito pobre. Muitas pessoas, por exemplo, cozinham a comida etíope, que tem um tempero muito forte, em fogueiras nas ruas, fora de casa. Isso gera muita fumaça, que se junta à fumaça dos carros velhos. Isso aumenta um pouco a sensação de pobreza. 

O país está crescendo bastante, a 8% ou 10% ao ano. O Primeiro Ministro, que estava no poder havia 21 anos, conseguiu estabelecer um plano de desenvolvimento. Há dúvidas sobre a estabilidade do país e sobre a continuidade dos programas com a sua morte. Mas a capital segue como canteiro de obras. Muitos prédios sendo construídos. O engraçado é que Adis parece o Brasil em tempo de Copa do Mundo, porque os tapumes das construções são pintados de verde e amarelo. Como tem muita construção, me sinto em ano de Copa. Acho que a cidade estará muito diferente dentro de dois ou três anos. 

A Ethiopian Airlines é uma espécie de orgulho nacional. Realmente é uma boa companhia aérea e acabou de colocar em operação o mais novo avião da Boeing, o 787. É o terceiro a entrar em operação no mundo e o primeiro fora do Japão. A EA tem voos para mais de 70 destinos partindo de Adis, incluindo sete capitais na Europa, Washington, Toronto e vai inaugurar um voo para São Paulo. É a maior empresa do país, a maior empresa aérea da África e a 16.a do mundo. Tem planos de se tornar, até 2025, a maior empresa da África, em qualquer área. Tem muito apoio do Governo que é o grande controlador. O Presidente do Conselho é nada menos do que o ex-Vice-Primeiro-Ministro. Fomos no jantar de comemoração da inauguração do 787. Foi na sede da União Africana (um prédio super moderno doado pela China – o prédio da Comissão de Paz está sendo construído e foi doado pela Alemanha. A parte engraçada: não havia púlpito para os discursos, tiveram de emprestar do Hotel Hilton. 

O submundo da Etiópia envolve bastante prostituição, mas, ao que tudo indica, pouca droga. Tinham nos dito que muitas prostitutas ficavam em frente ao hotel onde estamos. Não tínhamos visto, provavelmente porque mudaram de ponto, mas, outro dia, vimos uma se identificando na recepção e subindo para um dos quartos, na maior. Também vimos umas prostitutas na rua. Acho que tinha uma com uma espécie de véu. Achei estranho, mas não tenho certeza. Em intercâmbio de literatura, a Embaixadora me emprestou um livro sobre a prostituição

em Adis. Ainda não li. Havia emprestado a ela o livro do Embaixador Edgar Telles Ribeiro, O Punho e a Renda, que recomendo bastante. De droga, ouvi que há haxixe de ilegal. De legal, há uma maço de folhas que eles mastigam aqui, que vicia. Parece um pouco folha de coca, mas a apresentação é diferente. Vende-se a um preço ínfimo,

em feixes. Segundo os locais, excita os deprimidos, e acalma os eufóricos. E vicia.
 

Bom, a União Europeia é aqui e a comunidade diplomática é muito grande. A nossa placa diplomática, por exemplo, é a 107, mas acho que a série pula alguns números. Mas deve haver pelo menos 100 Embaixadas aqui, mesmo de uns países que só deve ter aqui, como Somaliland, por exemplo. Já fizemos alguns amigos, especialmente um casal espanhol, outro canadense, outro inglês, e um diplomata portuga gente boa.  

Uma experiência interessante foi acompanhar as Olimpíadas aqui. Os canais da TV a cabo africana privilegiavam os esportes e competições onde havia africanos. Vôlei, quase não passou por exemplo. Mas foi legal torcer pelos atletas etíopes e ver a etíope bater as quenianas e estabelecer o novo recorde olímpico na Maratona. Estávamos, naquele momento, em um almoço na casa de uma funcionária local da Embaixada. 

Bom, estamos vivendo o luto pela morte do Primeiro Ministro. A última vez que ele apareceu em público foi na Rio+20. Depois disso, sumiu. Não apareceu nem mesmo na Cúpula da União Africana, que foi aqui

em julho. Muitos boatos davam conta que ele tinha morrido havia muito tempo. A cidade esta

em prantos. Fui ao aeroporto acompanhar, com todo o corpo diplomático, a chegada do corpo – ele estava em um hospital da Bélgica – até os sentinelas que faziam a segurança estavam chorando. Tem uma componente de mimese e de “adesão expressa ao regime”, mas realmente foi um baque para o país. Apesar dos problemas com repressão, o PM foi um líder que levou a Etiópia a pelo menos iniciar um processo de desenvolvimento.
 

Veremos como as coisas evoluem. A parte da surpresa com o novo país já passou. Semana que vem mudamos para nossa casa, num condomínio, distante 6 km da Embaixada. Vamos alugar um carro velho enquanto não buscamos um usado em Dubai, onde é muito mais barato, mesmo considerando o preço do transporte. Adotamos uma cadela e já arranjamos uma secretária do lar. Ela vai receber o triplo do que os diplomatas pagam às suas e, mesmo assim, dá menos de US$ 250. A cadela foi adotada por uma professora da Escola internacional quando nasceu, há um ano, mas a sua dona mudou para um apê e a Daisy, que não é pequena, ficou sem espaço. Gostamos e adotamos! 

Não garanto um e-mail com tantas informações tão brevemente, mas prometo flashes sempre que puder.”