Quem viveu a política da década de 90 com certeza se lembra de um economista ou político ultra liberal chamado Roberto Campos. Por razões que só mais tarde vim a entender, ele era apontado com um grande economista pela direita liberal da época.
Pois bem. Logo após a queda do muro de Berlim passou-se a usar a expressão “dinossauro socialista” para todo aquele ou tudo aquilo que não se enquadrasse na cartilha liberalóide. O tal economista cunhou uma outra expressão: “Petrossauro”, para designar a Petrobras.
Sem entrar no mérito se empresas estatais (como a Petrobras) são boas ou ruins, o fato é que estou assistindo de camarote o Mercado se interessar em ser sócio da Petrobras…
Vamos ver, por sinal, qual será a valorização das ações da empresa estatal Petrobras nos próximos doze anos. Vamos ver quem vai querer comprar ações da Petrobras e quem vai ficar repetindo o discurso do “Petrossauro”…
Uma história real ocorrida na cidade belga de Antuérpia, cidade famosa por ser um centro de comércio internacional de diamantes:
1-Bruno, ainda não muito bêbado, estava com sua namorada alemã voltando para o hotel depois de ter tomado uma garrafa de vinho em um restaurante de comida croata.
2-Bruno e sua namorada decidem parar em um lounge, situado perto do hotel.
3-Bruno observa que no cardápio há caipirinha. Bruno pergunta ao dono do estabelecimento se a caipirinha é feita com cachaça brasileira. Bruno quer que sua namorada, que ainda não tinha vindo ao Brasil, prove uma boa caipirinha brasileira.
4-O dono do lounge diz que é “israelense” e mostra a estrela de david trazida no peito (Bruno não se lembra do motivo dessa resposta nem da atitude esquisita, porque não estava sóbrio). O tal “israelense” disse que tinha morado em Angola, país que sofreu mortífera guerra civil quando um movimento guerrilheiro apoiado pela África do Sul do tempo do apartheid, que mantinha intensas relações com “Israel”, lutava contra o governo de Angola com o dinheiro dos diamantes que explorava na região sob seu controle (depois que o apartheid acabou, o tal movimento guerrilheiro foi derrotado, pois não conseguia mais vender diamantes).
5-Bruno pede a caipirinha. O tal “israelense” diz que a caipirinha não é feita de “limão” (lemon), mas sim de “lima” (lime). Começa a discussão: Bruno diz que lima é um tipo de laranja. O “israelense” mostra então um limão comum e diz que tal fruta é uma “lima” (lime). Bruno insiste que tal fruta é um limão comum.
6-Bruno aceita a caipirinha, sendo irrelevante o nome que o “israelense” dá ao que quer que seja.
7-Em uma mesa distante do dono do lounge, a namorada de Bruno diz que na Europa tal fruta é mesmo chamada de “lime” (lima).
8-Bruno responde que no Brasil chamamos tal fruta de limão (mais tarde Bruno vem a saber que os europeus chamam de “lemon” o que nós chamamos de limão siciliano). Bruno explica que há vários tipos de limão no Brasil. Bruno sabe que a Palestina é chamada de “Israel” pela imprensa das potências ocidentais.
9-Bruno diz que chamar um limão de laranja lima não faz com que o limão deixe de ser um limão, pois é apenas uma questão de nomenclatura. Da mesma forma, chamar a Palestina de “Israel” não faz com que a Palestina deixe de ser a Palestina, ainda que nos mapas produzidos nos países ocidentais a Palestina apareça com o nome de “Israel”.
10-Bruno toma (isto é, bebe) a caipirinha do “israelense” juntamente com sua namorada. Bruno, já mais bêbado, vai até o dono do lounge pedir outra caipirinha. Bruno solicita, gentilmente (Bruno é educado, mesmo quando está bêbado), que o dono do lounge prepare uma caipirinha com menos gelo, menos açucar e mais cachaça. O dono do lounge diz que só poderia fazer uma caipirinha assim se Bruno pagar mais caro.
10-Bruno entende então porque o lounge estava vazio, embora o ambiente e a música fossem de boa qualidade.
11-Bruno, que não tem paciência com gente arrogante, diz para o dono do lounge que quer pagar a conta para ir embora.
12-Por alguma razão que Bruno não se lembra, Bruno diz para o “israelense” que seu avô havia morado em Gaza em 1962 como membro das forças de paz da ONU.
13-O “israelense” diz que por sorte o avô de Bruno sobreviveu ao período em que viveu em Gaza.
14-Bruno, bêbado, mas ainda com capacidade para responder, diz que somos muito espertos e sabemos lidar com situações adversas. Conclui a conversa com um “esteja certo que nós voltaremos”, em uma clara alusão ao direito de regresso dos palestinos à Palestina.
Por falar em nomenclatura, veja vídeo em que crianças gritam “Lula, Lula” na visita de Serra em uma escola em São Paulo, antes de serem coibidas por um adulto a gritarem o nome de Serra e de Geraldo Alckimin (nada como viver em um país democrático…): http://www.youtube.com/watch?v=gSMRPgx_j10&feature=watch_response
E por falar na dificuldade dos pacifistas para sobreviver ao terrorismo praticado pelos invasores da Palestina (”israelenses”), veja a última “pérola” de um general dos terroristas a respeito do ataque ao comboio de ajuda humanitária: http://noticias.br.msn.com/mundo/artigo-bbc.aspx?cp-documentid=25162396
Divergências políticas são naturais, inclusive no seio de grandes partidos. Refiro-me, inicialmente, a diferenças ideológicas, sem tratar, por ora, de disputas por cargos.
Em um texto anterior (http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=12408) mencionei uma diferença que considero essencial entre políticos: a questão do papel do Estado como agente do crescimento e da redução das desigualdades sociais.
Em linhas gerais, uma corrente defende, aberta ou veladamente, o chamado “Estado mínimo”, que deverá se abster de maiores ações, reduzir ao máximo a tributação e deixar que a economia cresça e o mercado se encarregue de promover o bem estar social. No máximo, os defensores dessa corrente admitem que entidades do Terceiro Setor (ONGs) recebam recursos do Estado para as ações sociais. Trata-se do chamado “social-liberalismo”. Contudo, os oito anos do Governo FHC demonstraram o fracasso dessa política.
A outra corrente tem visão antagônica: defende que o Estado deve ter uma atuação direta e robusta para o crescimento econômico (inclusive para a contenção das crises econômicas), inclusive para a redução das desigualdades sociais. Trata-se da chamada “social-democracia”. Os oito anos do Governo Lula demonstram o sucesso dessa política.
Então vem a pergunta: qual a opinião de Serra, Aécio, Pimentel e Patrus a respeito dessa questão crucial?
Patrus Ananias defende a atuação robusta e eficaz do Estado. E trabalho que ele realizou no Governo Lula demonstrou claramente que ele não fica apenas na retórica, mas consegue implantar de forma eficaz as ações sociais e o crescimento econômico relacionados com a ação estatal. Sabemos quem ele é, o que defende, o que faz e os resultados do ele faz.
A opinião de José Serra, do PSDB de FHC, também é bastante conhecida. Serra governou São Paulo, joga junto com o liberal DEM e é o candidato dos setores mais atrasados do empresariado. Será que todo mundo está errado e Serra, na verdade, irá defender um Estado forte para reduzir as desigualdades sociais? Claro que não. José Serra vai defender, sim senhor, o tal “Estado Mínimo”, tão a gosto do “Mercado”, tentando reduzir ou anular todos os avanços na reestruturação do Estado que foram promovidos no Governo Lula.
O que algumas pessoas questionam é se Aécio Neves, que também é do PSDB, seria diferente. Novamente apelo para o passado, com um singelo exemplo: qual foi a posição de Aécio Neves, como Governador de Minas Gerais, no tocante à questão da educação? Ele trabalhou para melhorar as escolas públicas em Minas Gerais ou arrochou o salários dos professores da rede estadual? A população de Minas Gerais que julgue: para mim, a resposta é óbvia. Aécio Neves é um “social-liberal”, membro de um partido “social-liberal” (o PSDB), que demonstrou o que é e a que veio em vários governos.
E quanto a Fernando Pimentel? Suas ligações com Aécio Neves são notórias. Seriam de cunho ideológico? Ou meramente pragmáticas? Confesso que não sei. O leitor que julgue.
Para muitos, é difícil perceber a diferença entre “Estado” e “Governo”. Mas não é por acaso: em sociedades politicamente atrasadas, marcadas pelo patrimonialismo, o aparelho do Estado nada mais é do que o Governo.
Essa situação vem se modificando no Brasil, desde a Constituição Federal de 1988 e especialmente a partir das medidas implementadas pelo Governo Lula (a respeito da questão da reestruturação do aparelho estatal no Governo Lula, vide http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=12408 ). O Estado começa a existir como um organismo vivo, que funciona independentemente de quem seja o governante de plantão. Isso não significa que o Governo perde importância: o Governo dirige o Estado, implementa as políticas públicas pré-definidas e, evidentemente, toma decisões políticas que irão nortear as ações estatais.
Por tudo isso é fundamental a visão de um projeto político, que é algo muito mais amplo do que simplesmente definir quem vai ser o candidato a Governador. O fundamental é a defesa de um projeto político para o País.
Em Minas Gerais, após um desgastante processo, o Partido dos Trabalhadores definiu que o candidato do Partido a Governador seria o Sr. Fernando Pimental. Sabemos que são notórias as relações de Fernando Pimentel com Aécio Neves.
Isso, por si só, não seria nenhum problema, caso não houvesse dois projetos políticos distintos e em franca disputa: o do Governo Lula e o do PSDB.
O que está em jogo é, justamente, qual projeto político será implementado, pelo próximo Governo, no Estado Brasileiro: o projeto social-democrata do PT ou o projeto social-liberal do PSDB. Insisto: são projetos distintos, cujos resultados são conhecidos, pois tivemos oito anos de Governo FHC e oito anos de Governo Lula.
Entendeu-se que, como estratégia eleitoral, seria mais adequada para a campanha da pré candidata Dilma a existência de um palanque único em Minas Gerais. Particularmente, concordo com essa avaliação. Com isso se buscou a aliança com o PMDB. E se definiu que o candidato ao Governo do Estado seria o Senador Hélio Costa.
Não vou tratar da interminável discussão de que se essa decisão foi a correta, mais vantajosa, adequada etc. O fato é que, a partir de um acordo político, definiu-se o candidato. É fato que Fernando Pimentel entregou a Prefeitura de Belo Horizonte para os tucanos, aproveitando-se de um momento em que Patrus Ananias estava como Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Aliás, realizando um excelente trabalho, dentro do projeto político acima mencionado) e não poderia ser candidato a Prefeito.
Portanto, com todo o respeito às opiniões diferentes, não consigo vislumbrar como a candidatura de Fernando Pimentel, que é próximo de Aécio Neves, que entregou a Prefeitura de BH para os tucandos, poderia ser mais adequada para o projeto político hoje levando à frente pelo Governo Lula que a candidatura de Hélio Costa.
Seja como for, insisto, em um acordo político, definiu-se que o candidato da base aliada ao Governo do Estado seria Hélio Costa do PMDB. Resta agora a questão de quem vai ser o candidato a Vice-Governador. Surge o nome de Patrus Ananias.
Algumas pessoas dizem que Patrus é muito bom e muito grande para ser um simples Vice de Hélio Costa, razão pela qual deveria recusar o posto.
Concordo integralmente com essa constatação, mas não concordo, necessariamente, com a conclusão. Que de fato Patrus Ananias, além de ser bom administrador, é a “reserva moral” da política brasileira, não há dúvidas. Contudo, mais importante do que simples projetos pessoais está o projeto político levado a cabo pelo Governo Lula, que precisa continuar. E sob essa perspectiva que a questão deve ser vista.
Também se levanta a possibilidade de Patrus Ananias ser candidato a Deputado Federal em uma chapa exclusivamente do Partido dos Trabalhadores.
Pergunta-se: o que é mais adequado para o projeto político que desejamos para o Brasil e para Minas Gerais? A resposta a essa pergunta deverá nortear a escolha, cuja palavra final, evidentemente, deverá ser dada pelo próprio Patrus Ananias, que é, antes de tudo, um ser humano.
A idéia de Patrus é de não ser candidato: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=83487
…mas o próprio Presidente Lula já pediu para que ele seja: http://colunistas.ig.com.br/poderonline/2010/06/07/patrus-aceitara-vice-amargurado/
Estou de acordo com os apelos. Uma chapa formada por Hélio Costa para Governador, Patrus Ananias para Vice e Pimentel para Senador será muito forte. É óbvio que essa não é configuração mais carismática, mais desejada pelo povão, mas entre o “ótimo” e o “possível” é preciso optar pelo “possível”. E, acima de tudo, trata-se de montar um bom palanque para Dilma no Estado de Minas Gerais.
Dilma representa a continuidade do projeto político iniciado pelo Presidente Lula. Esse projeto precisa avançar. Para isso, é essencial a unidade da base de apoio do atual Governo Federal, sendo indispensáveis que os nomes com densidade eleitoral forte façam parte da chapa que disputará as eleições.
Por isso acredito que Patrus Ananias não se furtará a contribuir nesse processo e, sensível aos apelos que estão sendo feitos, aceitará a vaga de Vice na chapa de Hélio Costa.
A escolha recaiu sob Hélio Costa, do PMDB: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=83444
Aguardem informações a respeito de quem será o candidato a Vice: espero poder dar uma boa notícia em breve!