Uma história real ocorrida na cidade belga de Antuérpia, cidade famosa por ser um centro de comércio internacional de diamantes:
1-Bruno, ainda não muito bêbado, estava com sua namorada alemã voltando para o hotel depois de ter tomado uma garrafa de vinho em um restaurante de comida croata.
2-Bruno e sua namorada decidem parar em um lounge, situado perto do hotel.
3-Bruno observa que no cardápio há caipirinha. Bruno pergunta ao dono do estabelecimento se a caipirinha é feita com cachaça brasileira. Bruno quer que sua namorada, que ainda não tinha vindo ao Brasil, prove uma boa caipirinha brasileira.
4-O dono do lounge diz que é “israelense” e mostra a estrela de david trazida no peito (Bruno não se lembra do motivo dessa resposta nem da atitude esquisita, porque não estava sóbrio). O tal “israelense” disse que tinha morado em Angola, país que sofreu mortífera guerra civil quando um movimento guerrilheiro apoiado pela África do Sul do tempo do apartheid, que mantinha intensas relações com “Israel”, lutava contra o governo de Angola com o dinheiro dos diamantes que explorava na região sob seu controle (depois que o apartheid acabou, o tal movimento guerrilheiro foi derrotado, pois não conseguia mais vender diamantes).
5-Bruno pede a caipirinha. O tal “israelense” diz que a caipirinha não é feita de “limão” (lemon), mas sim de “lima” (lime). Começa a discussão: Bruno diz que lima é um tipo de laranja. O “israelense” mostra então um limão comum e diz que tal fruta é uma “lima” (lime). Bruno insiste que tal fruta é um limão comum.
6-Bruno aceita a caipirinha, sendo irrelevante o nome que o “israelense” dá ao que quer que seja.
7-Em uma mesa distante do dono do lounge, a namorada de Bruno diz que na Europa tal fruta é mesmo chamada de “lime” (lima).
8-Bruno responde que no Brasil chamamos tal fruta de limão (mais tarde Bruno vem a saber que os europeus chamam de “lemon” o que nós chamamos de limão siciliano). Bruno explica que há vários tipos de limão no Brasil. Bruno sabe que a Palestina é chamada de “Israel” pela imprensa das potências ocidentais.
9-Bruno diz que chamar um limão de laranja lima não faz com que o limão deixe de ser um limão, pois é apenas uma questão de nomenclatura. Da mesma forma, chamar a Palestina de “Israel” não faz com que a Palestina deixe de ser a Palestina, ainda que nos mapas produzidos nos países ocidentais a Palestina apareça com o nome de “Israel”.
10-Bruno toma (isto é, bebe) a caipirinha do “israelense” juntamente com sua namorada. Bruno, já mais bêbado, vai até o dono do lounge pedir outra caipirinha. Bruno solicita, gentilmente (Bruno é educado, mesmo quando está bêbado), que o dono do lounge prepare uma caipirinha com menos gelo, menos açucar e mais cachaça. O dono do lounge diz que só poderia fazer uma caipirinha assim se Bruno pagar mais caro.
10-Bruno entende então porque o lounge estava vazio, embora o ambiente e a música fossem de boa qualidade.
11-Bruno, que não tem paciência com gente arrogante, diz para o dono do lounge que quer pagar a conta para ir embora.
12-Por alguma razão que Bruno não se lembra, Bruno diz para o “israelense” que seu avô havia morado em Gaza em 1962 como membro das forças de paz da ONU.
13-O “israelense” diz que por sorte o avô de Bruno sobreviveu ao período em que viveu em Gaza.
14-Bruno, bêbado, mas ainda com capacidade para responder, diz que somos muito espertos e sabemos lidar com situações adversas. Conclui a conversa com um “esteja certo que nós voltaremos”, em uma clara alusão ao direito de regresso dos palestinos à Palestina.
Por falar em nomenclatura, veja vídeo em que crianças gritam “Lula, Lula” na visita de Serra em uma escola em São Paulo, antes de serem coibidas por um adulto a gritarem o nome de Serra e de Geraldo Alckimin (nada como viver em um país democrático…): http://www.youtube.com/watch?v=gSMRPgx_j10&feature=watch_response
E por falar na dificuldade dos pacifistas para sobreviver ao terrorismo praticado pelos invasores da Palestina (”israelenses”), veja a última “pérola” de um general dos terroristas a respeito do ataque ao comboio de ajuda humanitária: http://noticias.br.msn.com/mundo/artigo-bbc.aspx?cp-documentid=25162396
Indo direto ao ponto: a população palestina confinada em Gaza não precisa de ketchup, precisa de material de construção (e de liberdade, mas isso é ainda mais difícil).
Cimento, vigas de aço, tijolos etc são produtos que os ocupantes da Palestina (”israelenses”) não permitem que cheguem ao Gueto de Gaza. Obviamente, a população que vive confinada em Gaza precisa de materiais de construção, seja para reconstruir as casas que foram dizimadas pelo brutal ataque da entidade ocupante (”Israel”), seja para utilizar na atividade econômica, sob pena de continuar eternamente dependente da ajuda da ONU (que, por sinal, compra os produtos em “Israel”, contribuindo com a economia dos que massacram o povo palestino há décadas).
Em um post anterior (http://www.blog.brunosilva.adv.br/?p=141) ficou claro que, mesmo de acordo com a visão das potências ocidentais a respeito do chamado “direito internacional”, o bloqueio a Gaza é ilegal.
Quanto a entrada por portos egípicios, a situação é a mesma: o governo do Egito, que reconheceu “Israel” para receber de volta a Península do Sinai, também participa do bloqueio a Gaza. O governo egípicio age assim por duas razões: para receber a ajuda financeira dos EUA e para enfraquecer o Hamas, que é aliado do partido de oposição “Irmandade Muçulmana”. Com isso a população de Gaza (formada por filhos e netos das pessoas que foram expulsas do território que hoje é considerado “Israel”) permanece prisioneira e sem poder receber os materiais necessários para reconstruir suas casas.
O mundo cristão assiste calado às atrocidades cometidas na Palestina…
A resposta foi dada pela Cruz Vermelha (organização humanitária das potências ocidentais):
http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2010/06/2010614102758862244.html
Diante disso, fica evidente que as ações perpetradas pelo exército da entidade que ocupa a Palestina (”Israel”) contra os comboios de ajuda humanitária devem ser classificadas como roubo, assassinato e seqüestro.
Em resposta às ações criminosas praticadas pelos ocupantes da Palestina (”israelenses”), os portuários da Suécia decidiram impedir o embarque e desembarque de produtos oriundos de “Israel”:
http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=24664069
Em um post anterior (http://www.blog.brunosilva.adv.br/?p=65) já havia me manifestado no sentido de que, em vez de ações armadas contra a ocupação, o mundo deve executar ações de boicote (diplomático, econômico e cultural) contra os ocupantes da Palestina (”israelenses”). Fico feliz ao verificar que os portuários da Suécia, país com altíssimo IDH, concordam com minha posição.
Em direito, existe uma diferença entre “roubo” e “furto”: roubo ocorre mediante grave ameça, por exemplo, sob ameaça de um revólver ou de uma faca. Já furto ocorre sem que a vítima perceba a ação do criminoso. No caso concreto, a ameaça não ocorreu mediante uso de revólver ou de faca, mas sim de armamentos, digamos, um pouco mais sofisticados, como fusis de longo alcance, canhões etc. Além, é claro, do precedente ocorrido poucos dias atrás, quando os terroristas israelenses, além de roubarem a carga dos navios, assassinaram parte da tripulação que ousou resistir ao roubo e seqüestraram a restante.
Ao menos, desta vez, os terroristas israelenses não mataram ninguém.
Os terroristas israelenses avisaram que “poderão” não devolver todo o material roubado: http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2010/06/20106632654441269.html
Materiais de construção, por exemplo, são artigos que os terroristas israelenses não permitem que cheguem ao Gueto de Gaza. E é assim porque, para os terroristas israelenses, a população que vive em Gaza (filhos e netos das pessoas que foram expulsas do território que hoje é chamado de “Israel” pelas potências ocidentais) precisa pagar por terem votado no Hamas na útima eleição.
Faço aqui um registro: sei que a grande imprensa não usa o vocabulário por mim utilizado neste post. Convido o leitor a uma reflexão: busque quais são os adjetivos e verbos corretos para as ações perpetradas pelas pessoas que fazem parte do chamado “Exército de Israel”.
Nem mesmo a grande imprensa conseguiu justificar o episódio em que o exército da entidade que ocupa a Palestina (”Israel”) invadiu, e seqüestrou e até matou pessoas que levavam ajuda humanitária à Gaza.
Porém, como sempre ocorre quando se refere às ações da entidade que ocupa a Palestina (”Israel”), a grande imprensa usa eufemismos.
Em vez de dizer que o exército israelense seqüestrou as pessoas que estavam em barcos em águas internacionais, a grande imprensa usou a palavra ”detidos”.
Os seqüestrados foram levados para uma prisão no meio do deserto. Depois da libertação dos seqüestrados, a grande imprensa usa a palavra “deportação”: nunca vi ninguém que não entrou voluntariamente no território de algum país ser “deportado”!!
(Veja o curioso enfoque da mídia com os usuais eufemismos no http://noticias.br.msn.com/mundo/artigo.aspx?cp-documentid=24439343)
Nos dias de hoje nenhum país de verdade seqüestra ou prende pessoas que estão em território estrangeiro ou em águas internacionais… Contudo, em um passado não tão distante e bastante lembrado - 2ª Guerra Mundial - a Alemanha Nazista fazia exatamente isto: invadia, prendia e matava pessoas. A mim pouco importam as eventuais justificativas ou os tratados da Alemanha Nazista com as potências ocidentais que hoje defendem a ocupação da Palestina: atrocidades são atrocidades, ainda que os brutais ataques sejam reputados como “ações defensivas”.
Felizmente, os tempos mudaram e o mundo começa a não mais aceitar esse tipo de coisa. Mas há quem reclame do clamor internacional contra atrocidades:
http://noticias.br.msn.com/mundo/artigo-bbc.aspx?cp-documentid=24451194
Nem mesmo a grande imprensa brasileira conseguiu desta vez justificar as ações do exército terrorista da entidade que ocupa a Palestina (”Israel”). Deu na Folha de São Paulo:
”Israel divulgou fotos e vídeos que mostram o que consideraram armas perigosas, entre elas facas de cozinha, chaves inglesas e outras ferramentas, canos metálicos, pedaços de madeira, lenços palestinos, estilingues e bolas de gude, cujo uso teria justificado a ordem de abrir fogo contra os ativistas.”
Confira o inteiro teor da notícia no: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/743803-israel-confisca-imagens-de-ataque-a-frota-de-ajuda-humanitaria.shtml
Uma informação adicional: um dos freqüentes pedidos dos palestinos refugiados em Gaza é de aparelhos de surdez para crianças, pois os diários ataques da aviação israelense danificam os tímpanos infantis.
Infelizmente, parece que o resto do mundo também não consegue escutar o que se passa na Palestina… Ou, se escuta, finge não ouvir, em uma cumplicidade diabólica :(